O dia em que a paulista… foi ela mesma

NOSSA!

Que bonitinho …

Mas São paulo não é assim. Nunca vai ser.

Este título é engraçado. Não sei se eu amo a Av. paulista ou se aquela avenida me ama. Só sei que sempre que ando por ela e isso é uma experiência interessante.

Toda a vez que eu estou voltando de uma balada eu me deparo com tal  travessa que me conduz ao metrô mais próximo da minha casa.  É nesta rua que eu faço minhas experiências. Não que eu tenha intenção de atrapalhar os traunsentes, longe disso. Demorei bastante para interagir com eles. Mas acabei me sentindo obrigado a fazê-lo

Desde o começo pude perceber que há algo de errado com aquela rua. As pessoas não vivem. Elas andam automaticamente, como formigas, conduzidas por um rastro feromônico monetário que azeda suas faces. Muito bizarro.

É a senhora de meia idade aspirando um cachorro quente subindo uma escada rolante de mesmo sentido, é um guardinha  nordestino chutando um cachorro que fareja o arbusto bem recortado que rodeia um banco, são jovens voltando de baladas, envergonhados, como se tivessem culpa por passar na majestosa avenida sem terem acumulado um montante considerável de dinheiro.

Acho engraçado andar por tal avenida. Talvez, por enquanto, eu não precise dela. Não me impressiono com os enorme prédios bancários e os restaurantes finos. Mas esta rua precisa de mim. Talvez eu seja um dos poucos  seres humanos que trafegue por ali. Ao contrário dos outros, quando eu ando por  aquelas bandas eu trato de parar o tempo. Paro, sento em uma calçada e fico olhando. Os indivíduos que retuitaram automaticamente o link que começou este post podem me chamar de inútil. Mas eu vejo algo importante.

Vejo pessoas que precisam de ajuda. Alguma ajuda. Mas elas não sabem. Nem desconfiam. Estão tão concentradas em serem células de um grande organismo que nem sabem o que está acontecendo. Apenas andam.

Minha primeira experiência foi um singelo “bom dia”. Contei nos dedos VINTE pessoas que ouviram tal chamado mas não responderam. Estavam muito ocupadas em segui o rastro. Não acredito que exista outro centro econômico em que isso se repita. Nem em Tokio nem em New York. Talvez seja um mal do terceiro mundo. As formigas do terceiro mundo não dizem “oi”.

A segunda experiência foi bem mais interessante. Era seis da manhã. Eu precisava de dinheiro para pegar o metrô, mas só estava com o meu cartão de débito. Resolvi andar até um um bar, pedir um café, uma coxinha e uma carteira de cigarros. Sugeri para o atendente que passasse cinco reais a mais que o valor total, e que me interasse tal valor em dinheiro. Prestativamente, em meio a bêbados e policiais que pediam doses de uísque, ele aceitou. O bar ficava a algumas quadras da estação de metrô. Segui o meu caminho.

A primeira pessoa que encontrei foi um mendigo acordando no meio de caixas de papelão. Joguei um cigarro em direção a ele e falei:

– fuma aí cara, você deve estar com vontade.

Ele pegou o cigarro com uma cara que misturava satisfação e desconfiança. Teria agradecido, mas acredito que, assustado, por estar acordando,  ficou sem palavras.

Intrigado com isso, resolvi repetir o feito. É incrível como as pessoas na paulista não estão acostumadas com  generosidade. Desconfiam. Cheiram o cigarro para ver se é de verdade. E isso não aconteceu só com moradores de rua . Vi um cara, visivelmente entediado, acocorado em frente a um prédio. Joguei um cigarro pra ele. Rapidamente ele perguntou:

Você está chapado cara?

Respondi que não. Já não estava mais nem bêbado. Só queria testar as pessoas. Segui andando e vi que ele pedia um isqueiro para um guardinha mais próximo.

Não que cigarros façam bem, fossem chocolates,ou qualquer outro presente, mas a verdade é que as pessoas não esperam generosidade gratuita de alguém andando aleatoriamente na rua. A paulista não permite isso.

Falo de pessoas andando na rua em um sábado de manhã. Agora imagine o transito engarrafado por uma hora.

Tal campanha que encabeça este post é uma cretinice utópica sem tamanho. É tipo uma campanha de natal tentando tocar as pessoas com uma emoção barata. Mas é mais rasteira.

São paulo é uma cidade aonde tudo acontece. Menos isso.

Publicitários tentem de novo.



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9 Comentários

Arquivado em cotidiano pessoal

9 Respostas para “O dia em que a paulista… foi ela mesma

  1. JP, muito bom teu comentário sobre esse vídeo, concordo com quase tudo.

    O importante é não se deixar levar por esse ritmo desumano daqui, e não se deixar influenciar pela avidez paulistana pela pecúnia. Assim seremos sempre felizes!

    Forte abraço meu caro, e vamos combinar uma cervejada!

  2. GraziSX

    É mô quirido, sou obrigada a concordar, saí daí há dez anos, mas ainda carrego uma dose de desconfiança, essa palavra, desconfiança acho que é a primeira definiçao que eu tenho sobreos paulistanos, e acho péssimo. Eu fugí disso aí.
    Mas curti a campanha por isso mesmo, por entender que SP é assim e precisa de ajuda: o paulistano DEVE refletir sobre isso, mas na prática, será q ele vai? pouco provável, bem mais facil desviar um nadinha o seu habitual mau humor e se apressar em voltar pra miséria da sua solidão cercada de multidão.

  3. GraziSX

    hahaha by the way:

    1. as 11 rádios não se uniram, elas foram pagas pra isso, é mkt, não união!

    2. Ninguém se inspirou, as pessoas seguiram as sugestão, não tiveram a ideia por estarem em fina sintonia com o cosmos ¬¬

    3. A vida nao vai virar “assiiiim… uma brastemp” só com um minuto de sorisos.

    Aff marketing, que nojo!

  4. barb

    Caxias, bem interessante que tais indo contra esse moedor de carne e dando um passo para trás pra refletir sobre ele. Espero que aproveites o melhor possivel o que essa cidade tem a oferecer de bom, e tente sempre ir contra a desumanizaçao do dia a dia

  5. Galileu Web

    Então caxobas, você não é o único a ter essa sensação na Paulista. Concordo com você é uma rua atípica.

    Uma matrix de formiguinhas no meio da Babilônia, todas pensando secretamente em fugir para o Sul…

    Ou ficar rico (?)

  6. Pingback: Ainda restará esperança na segunda. « O Amador

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